segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Fetiche - Por Wagner Mafuzo

Aventuras, desventuras, risos, humores aquosos e espirituais - esses são alguns dos elementos que compõem o universo literário de Wagner Mafuzo, publicitário e escriba que a partir desta semana passa a fazer parte do time de colaboradores do blog da revista Curitiba Deluxe. As crônicas têm um quê de Stanislaw, um quê de Voltaire de Souza e muita qualidade. Confira a primeira pérola, "Fetiche":

"Aos 60 anos, seu Firmino foi encontrado no apartamento, nu e com o pênis ereto, os braços cruzados sobre o peito magro, rodeado por crisântemos. Fala-se que ele tinha tanta força de vontade que faleceu simples e imaculadamente porque desejou. Quem disparou a ânsia implacável de morte, no entanto, fora sua bela esposa, dona Ana. Em todos os Finados, ela se enlutava e saía para homenagear os mortos. No último, seu Firmino seguiu-a com o fusca azul-calcinha. Depois de um breve passeio entre túmulos, dona Ana deixou o cemitério para entrar em uma casa desconhecida. Ao fim de três horas angustiosas - em que passou esmurrando o volante - seu Firmino sentiu um alívio abençoado quando viu que a esposa vinha acompanhada de...
- Um padre! – disse, contente.
Na manhã seguinte, depois de um café polvilhado de mimos expiatórios, foi conversar com amigos da Boca Maldita. Lá, surpreendeu-se ao ver o padre à paisana, carregando a batina debaixo do braço. Correu até ele desajeitada e inocentemente e disse-lhe: benção! O outro despejou uma gargalhada pecaminosa, entrou na loja de fantasias da Praça Osório e saiu com as mãos livres."

Um comentário:

Mi disse...

Grande Firmino! Sua maneira muito peculiar de protestar, vai deixar saudades...
Viu só, agora eu entendi..hehehe. Muito bom! Grande beijo, Mi Furuta.