sexta-feira, 3 de julho de 2026

Escritora portuguesa Lídia Jorge conquista o Prêmio Camões de Literatura 2026

Foto: Luisa Ferreira

Premiação é a mais importante da língua portuguesa. Autora receberá 100 mil euros.

A escritora portuguesa Lídia Jorge conquistou o Prêmio Camões de Literatura 2026. O resultado foi anunciado no início da tarde desta quinta-feira, após a reunião virtual do júri. A autora receberá premiação no valor de 100 mil euros – concedida por meio de subsídio da Fundação Biblioteca Nacional (FBN/ MinC) e do Governo de Portugal – além de um diploma assinado pelos chefes de estado do Brasil e de Portugal.

Lídia Jorge é uma das escritoras mais proeminentes da literatura portuguesa contemporânea, com uma obra reconhecida pela análise profunda da história recente de seu país, pela reflexão social e pela defesa dos direitos humanos e das mulheres.

“Desde ‘O Dia dos Prodígios’, de 1979, o diversificado conjunto da obra de Lídia Jorge contribui para enriquecer o património literário e cívico-cultural da língua portuguesa, trazendo experiências do último período da guerra colonial. ‘A Costa dos Murmúrios’, de 1988, é um marco importante na sua obra, uma vez que destaca a sua experiência de vida em Moçambique e desconstrói as versões da guerra colonial sob a perspetiva de uma mulher. Um dos seus últimos romances — ‘Misericórdia’, de 2022 — trata a velhice, a urgência da vida, a resistência ao fim. A sua escrita, marcada por uma prosa poética densa, aborda o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina, o impacto das transformações históricas na vida quotidiana, o significado das revoluções, a emigração, as tensões entre a sociedade moderna e pós-moderna, os conflitos entre gerações, as ruturas familiares, com um estilo literário de forte carga lírica e foco na memória coletiva. Por todos estes motivos, o júri considerou, unanimemente, Lídia Jorge merecedora do Prémio Camões 2026”, diz a ata do júri.

Os jurados nesta edição foram o professor José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra – Portugal); a professora, poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa – Portugal); a professora e pesquisadora Lucia Santaella (PUC-SP, Brasil); o professor, jornalista, historiador e doutor em Letras, José Ribamar Bessa Freire (Brasil); e o escritor e crítico literário Lopito Feijó, (Angola); a escritora, poeta, professora universitária e pesquisadora Odete Semedo (Guiné-Bissau).

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, falou sobre a premiação da escritora portuguesa: “A escolha de Lídia Jorge para o Prêmio Camões de Literatura 2026 celebra uma das grandes vozes da literatura em língua portuguesa, cuja obra reafirma o poder da escrita para preservar memórias, ampliar horizontes e promover reflexões sobre a condição humana. O Prêmio Camões simboliza a riqueza da nossa língua comum e o compromisso permanente do Brasil e dos países lusófonos com a valorização da cultura, da literatura e do diálogo entre os povos. Celebrar Lídia Jorge é também reconhecer a força transformadora da palavra e da criação artística na construção de sociedades mais democráticas, diversas e humanas”, afirmou.

O presidente da FBN, Marco Lucchesi, também comentou o resultado: “A escritora Lídia Jorge merece todo reconhecimento. Ela vive no coração do presente. Aponta para todas as contradições, dentro de uma perspectiva em que a política e a poética mostram-se inseparáveis, muito embora prevaleça, do começo ao fim, a altitude textual, a dinâmica profunda da língua literária. Seu profundo conhecimento da África, sobretudo de Moçambique, de Portugal e dos países língua portuguesa empresta grande riqueza ao conjunto da obra. Lídia Jorge possui uma consciência vigilante, crítica diante de um passado colonial e de todas as práticas de injustiça, na defesa de um largo estatuto de emancipação. Uma obra vasta, de extrema riqueza de abordagem e de gêneros literários. É uma das glórias da língua portuguesa”.

Lídia Jorge

Nascida em Boliqueime, Algarve (Portugal), em 18 de junho de 1946, Lídia Jorge é graduada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. No início dos anos 70, durante a Guerra Colonial Portuguesa, viveu em Angola e Moçambique - experiência que marcou sua produção literária. Seu primeiro romance, “O Dia dos Prodígios” (1980), inaugurou uma nova fase na literatura portuguesa ao romper com o realismo tradicional e com o tom documental, dominante à época. Suas obras estão traduzidas em diversos idiomas e já receberam prêmios como Prémio Pessoa, Médicis Étranger e Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia. Entre suas principais obras estão, ainda, “A Costa dos Murmúrios (1988)”, “O Vale da Paixão (1998)” e “Misericórdia (2022)”.

Prêmio Camões

O Prêmio Camões é o mais importante da língua portuguesa. Instituído em 1988 pelos Governos do Brasil e de Portugal, tem como objetivo estreitar os laços culturais entre as nações que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e enriquecer o património literário e cultural da língua portuguesa. Com o nome do maior escritor da história da língua portuguesa - o poeta português Luís Vaz de Camões - o prêmio é atribuído aos autores, pelo conjunto da obra, que contribuíram para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. A primeira edição ocorreu em 1989.

O Ministério da Cultura português organiza a premiação pela parte portuguesa, cabendo à Fundação Biblioteca Nacional a organização pela parte brasileira. Em todas as edições do prêmio, o júri é composto por dois portugueses, dois brasileiros e dois representantes das demais nações da CPLP - Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste e São Tomé e Príncipe. O mandato para os jurados é de dois anos.

O diploma entregue aos laureados contém o nome de todos os países lusófonos e é assinado pelos chefes de estado do Brasil e de Portugal. Entre os 36 vencedores encontram-se autores de cinco países lusófonos (Brasil, Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde). Confira todos os vencedores do Prémio Camões, por ordem cronológica: Miguel Torga (Portugal), João Cabral de Mello Neto (Brasil), José Craveirinha (Moçambique), Vergílio Ferreira (Portugal), Rachel de Queiroz (Brasil), Jorge Amado (Brasil), José Saramago (Portugal), Eduardo Lourenço (Portugal), Pepetela (Angola), António Cândido (Brasil), Sophia de Mello Breyner Andresen (Portugal), Autran Dourado (Brasil), Eugénio de Andrade (Portugal), Maria Velho da Costa (Portugal), Rubem Fonseca (Brasil), Agustina Bessa-Luís (Portugal), Lygia Fagundes Telles (Brasil), Luandino Vieira - recusado (Angola), António Lobo Antunes (Portugal), João Ubaldo Ribeiro (Brasil), Arménio Vieira (Cabo Verde), Ferreira Gullar (Brasil), Manuel António Pina (Portugal), Dalton Trevisan (Brasil), Mia Couto (Moçambique), Alberto da Costa e Silva (Brasil), Hélia Correia (Portugal), Radouan Nassar (Brasil), Manuel Alegre (Portugal), Germano Almeida (Cabo Verde), Chico Buarque (Brasil), Vítor de Aguiar e Silva (Portugal), Paulina Chiziane (Moçambique), Silviano Santiago (Brasil), João Barrento (Portugal), Adélia Prado (Brasil), Ana Paula Tavares (Angola), Lídia Jorge (Portugal).

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Histórias da Floresta transforma CAIXA Cultural Curitiba em percurso interativo sobre o meio ambiente


Entre rios cenográficos, sons da natureza e narrativas ancestrais, a CAIXA Cultural Curitiba inaugura, no dia 4 de julho, a exposição com acesso gratuito “Histórias da Floresta — O Segredo das Águas”, uma experiência imersiva e sensorial que convida o público infantil a fazer uma viagem poética e educativa sobre a relação entre humanidade e natureza.

Com temática voltada à preservação ambiental, a mostra apresenta uma jornada lúdica pelos ciclos das águas, destacando a importância dos saberes dos povos originários. O percurso interativo é conduzido por um rio cenográfico que revela, ao longo do caminho, instalações, elementos táteis e narrativas sonoras que ampliam a experiência sensorial dos visitantes.

“É uma exposição para ser vivida com todos os sentidos atentos, onde as infâncias aprendem juntas e se encontram com a nossa história mais ancestral, a história do planeta Terra", destaca Flávia Milbratz, idealizadora da mostra que transmite a urgência do cunho educacional sobre questões ambientais com o público infantil.

O projeto, que já passou por Recife, São Paulo, Fortaleza, Brasília, Belo Horizonte e Aracruz (ES), nasceu como um festival literário de saberes e, ao longo dos últimos quatro anos, expandiu sua linguagem para o campo das artes visuais. Um dos destaques da exposição é a instalação “Floresta Viva”, composta por mais de 300 espécies nativas, muitas delas identificadas com suas origens e significados. 

A ambientação é complementada por totens e displays musicais, que entrelaçam narrativas com sons das marés e referências às cosmologias indígenas, criando um percurso que articula arte, ciência e cultura ancestral.

As ilustrações do artista curitibano Bruno Romã enriquecem o imaginário da mostra ao apresentar seres mágicos, guardiões das águas e da floresta, conectando o público a universos simbólicos inspirados em culturas tradicionais.

Ao longo do mês de julho, o espaço também recebe uma programação paralela com oficinas, contações de histórias, espetáculos e encontros formativos, ampliando a experiência educativa e interativa.

Sobre os artistas

Flávia Milbratz, idealizadora do projeto, atua na intersecção entre arte, educação e sustentabilidade. Com foco em ações voltadas ao público infantil, desenvolve iniciativas que valorizam a construção de vínculos entre cultura, natureza e formação de consciência ambiental desde a infância.

Bruno Romã é artista visual curitibano, cujo trabalho transita entre ilustração e narrativa visual. Suas criações exploram universos simbólicos e imaginários, frequentemente inspirados em mitologias, ancestralidade e relações entre seres humanos e natureza.

SERVIÇO:
Local: CAIXA Cultural Curitiba - Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Centro
Abertura: 4 de julho de 2026, às 14h30
Data: 04 de julho a 02 de agosto
Entrada gratuita

Horários:

• Terça a sábado: das 10h às 20h

• Domingos: das 10h às 19h

• Segundas-feiras: fechado para manutenção

Toda a programação é gratuita. A inscrição para as oficinas será por ordem de chegada, a partir de 1h antes de cada evento.

As contações e espetáculos têm entrada franca.

Classificação indicativa: livre para todos os públicos

Programação paralela: oficinas, contações de histórias, espetáculos e formação para educadores (inscrições para a formação e detalhes da programação no site da CAIXA Cultural Curitiba)

Informações: www.caixacultural.gov.br

Redes Sociais: 

https://www.instagram.com/caixaculturalcuritiba/ 

https://www.instagram.com/historiasdafloresta/ 



terça-feira, 23 de junho de 2026

Mostra de cinema português traz quatro filmes contemporâneos à Cinemateca de Curitiba


Exibições gratuitas acontecem de quinta a domingo dentro da programação do Festival Camões de Cultura Lusófona

A Cinemateca de Curitiba recebe, entre os dias 25 e 28 de junho, a Mostra de Cinema Português, integrada à programação do Festival Camões de Cultura Lusófona. Com curadoria do  pesquisador e professor Fernando Brito, a iniciativa apresenta ao público curitibano um panorama do cinema português contemporâneo por meio de quatro produções assinadas por importantes realizadores do país. 


A programação começa na quinta-feira (25), às 19h, com "Colo" (2017), de Teresa Villaverde. O drama acompanha uma família portuguesa impactada pela crise econômica, explorando as tensões e distanciamentos que surgem diante das dificuldades financeiras.


Na sexta-feira (26), também às 19h, será exibido "Vitalina Varela" (2019), de Pedro Costa. O filme narra a chegada de uma mulher cabo-verdiana a Portugal dias após o funeral do marido, iniciando uma jornada marcada pela memória, pelo luto e pela busca de pertencimento.


No sábado (27), às 19h, o público poderá assistir a "Mal Viver" (2023), de João Canijo. A obra retrata cinco mulheres de uma mesma família que administram um hotel em decadência na costa norte portuguesa, revelando conflitos geracionais e relações familiares marcadas por ressentimentos.


Encerrando a mostra, no domingo (28), às 18h, será exibido "Viver Mal" (2023), também de João Canijo. Complementar a "Mal Viver", o filme desloca o foco para os hóspedes do hotel, explorando diferentes histórias familiares e afetivas que se cruzam naquele espaço.


Além de destacar temas como memória, relações familiares, identidade e transformações sociais, a mostra oferece uma oportunidade de contato com alguns dos nomes mais relevantes da cinematografia portuguesa contemporânea.


SERVIÇO


Mostra de Cinema Português

Data: 25 a 28 de junho

Local: Cinemateca de Curitiba
Endereço: R. Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco

Entrada gratuita


Programação:


25/06 (quinta-feira) – 19h

"Colo" (Teresa Villaverde, 136 min., classificação 14 anos)


26/06 (sexta-feira) – 19h

"Vitalina Varela" (Pedro Costa, 124 min., classificação 12 anos)


27/06 (sábado) – 19h

"Mal Viver" (João Canijo, 127 min., classificação 14 anos)


28/06 (domingo) – 18h

"Viver Mal" (João Canijo, 124 min., classificação 16 anos)


terça-feira, 16 de junho de 2026

Trupe da Saúde celebra 26 anos com lançamento de livro, exposição e podcast na Biblioteca Pública do Paraná

Obra “Numa Tarde Tanta Coisa” materializa memórias e crônicas agudas de palhaçaria em cinco hospitais de Curitiba

Em celebração a uma trajetória sólida de 26 anos de transformações e humanização na rotina dos hospitais, a Trupe da Saúde realiza nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, o lançamento de seu primeiro livro: “Numa Tarde Tanta Coisa: Crônicas Agudas de Palhaçaria em Hospitais”. O evento, com entrada franca, acontece a partir das 17h30 no hall de entrada da Biblioteca Pública do Paraná, reunindo um bate-papo com a organização e a inauguração de uma exposição inédita de fotos e figurinos do grupo.


Formada por palhaças e palhaços profissionais, a Trupe da Saúde atua desde o ano 2000 promovendo encontros semanais em hospitais da capital paranaense. Utilizando as linguagens artísticas da palhaçaria, do improviso e da música, o grupo estabelece pontes de afeto com pacientes, acompanhantes e equipes de saúde. 


Essa participação ativa provoca mudanças profundas na lógica do ambiente hospitalar: transforma de imediato o ânimo das alas médicas, aumenta a colaboração dos pacientes com os tratamentos e melhora expressivamente o relacionamento entre o público internado e os profissionais da saúde, entre diversos outros benefícios psicossociais.


O Livro e a Exposição - Após um processo cuidadoso de maturação e escrita, nasce o livro que traz para a materialidade crônicas escritas pelas próprias palhaças e palhaços da Trupe ao longo de sua trajetória. São encontros, sensações e vivências que refletem a rotina de manhãs e tardes dedicadas a cinco hospitais de Curitiba.


O lançamento contará com uma mesa redonda mediada pela equipe de organização do livro formada por Gloria Kirinus, Camila Jorge e Biá Lopse, em uma partilha aberta sobre a construção desse trabalho humanitário e artístico.


Buscando expandir os horizontes de consumo e inclusão, o grupo também lançará as crônicas gravadas em formato de podcast, tornando o livro plenamente acessível em áudio. Complementando o evento, a Exposição de Figurinos e Fotos da Trupe estará aberta no local para que a comunidade possa vivenciar, através de outras texturas e registros visuais, o cotidiano do projeto. A mostra ficará aberta para visitação até o dia 30/06/2026.


Serviço

Evento: Lançamento do livro “Numa Tarde Tanta Coisa”, Exposição e Podcast da Trupe da Saúde

Data: 16 de junho de 2026 (Terça-feira)

Horário: 17h30

Local: Biblioteca Pública do Paraná – Hall de entrada (Rua Cândido Lopes, 133 - Centro, Curitiba/PR)

Gratuito e aberto ao público.



segunda-feira, 15 de junho de 2026

Igreja da Ordem recebe concerto de música barroca nesta terça-feira (16/06)


Sob regência do maestro Ricardo Bernardes, apresentação do Americantiga Ensemble resgata a histórica "Missa de Paranaguá" e integra a programação do Festival Camões

Nesta terça-feira (16/06), às 18h30, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Chagas, construída pelos portugueses em 1737 e conhecida como o templo católico mais antigo da capital, recebe o concerto “Viagem do Barroco entre Roma, Lisboa e o Paraná: Bernardino José de Sena e a Missa de Paranaguá”. A apresentação será conduzida pelo Americantiga Ensemble, sob a regência do maestro Ricardo Bernardes, dentro da programação oficial do Festival Camões de cultura lusófona.

O espetáculo propõe uma imersão na circulação do Barroco Romano e Português no Brasil do século XVIII. Com caráter didático, o concerto será dividido em sessões temáticas nas quais o maestro explicará o contexto histórico das obras ao público, permitindo uma compreensão mais profunda da produção musical da época.

O programa reforça a conexão cultural entre Portugal e o Sul do Brasil colonial, destacando a trajetória de dois compositores fundamentais na Catedral da Sé de São Paulo: o mestre de capela português André da Silva Gomes, que desembarcou de Lisboa em 1774, e o paulistano Bernardino José de Sena (nascido em 1740), que já atuava como organista na instituição.

Na década de 1770, Bernardino transferiu-se para Paranaguá, onde consolidou sua carreira e se tornou o músico mais ativo e influente da região litorânea por mais de 30 anos, sendo por isso carinhosamente adotado como um legítimo "parnanguara".

A "Missa de Paranaguá" - A peça central da noite é a missa composta por Bernardino José de Sena, estruturada pelo Kyrie e pelo Glória. Vale notar que, conforme a tradição da época, as demais partes do ordinário, a exemplo do Credo, não recebiam a denominação técnica de "missa". A obra é considerada o monumento musical mais importante e representativo do século XVIII em território paranaense.

Segundo o maestro Ricardo Bernardes, o programa é marcado por um caráter festivo e melodias cativantes. “A composição tem como um de seus pontos altos o Laudamus te, um sensível dueto escrito para soprano e contratenor. A performance busca replicar fielmente a estética e as práticas interpretativas do período, apresentando a integralidade da missa como uma grande homenagem ao passado cultural do Estado”, lembra Ricardo.

Palco histórico - A escolha da Igreja da Ordem para a apresentação não foi casual. Além de sua relevância cronológica e histórica, visto que o espaço construído pelos portugueses passou por reformulações no século XIX para receber a visita do Imperador Dom Pedro II, o local é amplamente reconhecido por sua excelente acústica, que se mostra ideal para o instrumental e o canto coral da música barroca.

Sobre a Americantiga Ensemble - Fundado em 1995 pelo maestro Ricardo Bernardes, o Ensemble Americantiga é especializado na interpretação do repertório português, brasileiro, hispano-americano e italiano, do século XVII ao início do século XIX. Guiado por um rigoroso enfoque filológico, o grupo utiliza instrumentos históricos sempre que possível e técnicas de execução historicamente informadas, com profundo respeito pela autenticidade e uma sensibilidade artística apurada.

Serviço:

Concerto “Viagem do Barroco entre Roma, Lisboa e o Paraná: Bernardino José de Sena e a Missa de Paranaguá”

Grupo: Americantiga Ensemble (Regência: Maestro Ricardo Bernardes)

Data: Terça-feira, 16 de junho

Horário: 18h30

Local: Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Chagas (Largo da Ordem, Centro Histórico, Curitiba, PR)

Entrada: Gratuita (sujeita à lotação do espaço)


terça-feira, 9 de junho de 2026

Paraibano Ciro Fernandes retorna a Curitiba com exposição individual


Conhecido internacionalmente por suas xilogravuras, artista traz cerca de 100 obras para compor mostra inédita no Memorial de Curitiba.

Após 40 anos, o gravador e ilustrador paraibano Ciro Fernandes retorna a Curitiba para a abertura da exposição “Ciro Fernandes: o menino, o olho e o pássaro”. A abertura acontece no dia 14 de junho, às 10h, no Memorial de Curitiba, com a presença do artista, que aos 84 anos, realiza demonstração de gravura ao vivo durante o evento.

“Os trabalhos tratam de questões que atravessam minha vida há muitos anos, ligadas ao imaginário, à observação do mundo e à liberdade criativa", afirma Ciro. “Estou animado para compartilhar esses trabalhos com um público diverso e para ver como cada pessoa irá construir suas próprias leituras", completa. 

Com curadoria de Iriana Vezzani e subsidiada pelo Mecenato da Fundação Cultural de Curitiba, a mostra faz parte do circuito de exposições da 16ª  Bienal de Curitiba e reúne cerca de 100 trabalhos impressos e as matrizes de xilogravura talhadas em diversos materiais. 

A curadora Iriana Vezzani afirma que o processo curatorial partiu da compreensão da trajetória do artista, como uma prática contínua de construção de memória e pertencimento. “Buscamos reunir obras que evidenciam não apenas sua importância histórica para a xilogravura brasileira, mas também a permanência do olho que atravessa toda a sua produção", diz Iriana. 

Sobre a exposição das matrizes, a curadora declara que na exposição, elas devem aproximar o público da presença física do gesto. “A matriz é vestígio da relação física e da experiência de tempo entre o corpo do artista e a matéria. Sua obra não se posiciona como oposição à tecnologia, mas como deslocamento crítico dentro desse próprio campo".

Vale lembrar que o artista deve talhar uma xilogravura ao vivo, durante a abertura. Ainda, uma obra será doada ao Museu da Gravura Cidade de Curitiba, referência nacional na área.

Homenagem em Vida

A Singular Cultural é uma produtora dedicada às Artes Visuais, que preza pela preservação do patrimônio cultural e ações educativas. Um dos focos dos sócios Amanda Prado e Vitor Prado é homenagear artistas em vida, - trabalho já realizado com exposições retrospectivas, como as dos artistas Rogério Dias, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná,  e de Rimon Guimarães, no Museu Municipal de Arte de Curitiba. 

Desta vez, acompanhando o artista pelas redes sociais durante a pandemia, Amanda e Vitor decidiram homenagear o gravurista. “Depois de algum tempo, agendamos uma visita no ateliê e vimos o vasto material que o Ciro possuí. Achamos que era hora de uma grande exposição como forma de homenagear um artista que faz parte da história do país", afirma Vitor. 

Para Ciro, todo reconhecimento é importante, porque reafirma a relevância do trabalho desenvolvido ao longo dos anos. “A produção artística é feita de persistência, pesquisa e dedicação contínua, muitas vezes longe dos holofotes. Poder receber esse reconhecimento em vida é especialmente valioso, porque permite dialogar com novas gerações e acompanhar de perto a forma como o trabalho continua encontrando ressonância no público", diz. 

Sobre o artista

Nascido em Uiraúna, no alto sertão paraibano, o artista plástico Ciro Fernandes tem 84 anos e vive no Rio de Janeiro. De uma família de artistas, aprendeu cedo sobre música, pintura e gravura. 

Sua obra transita entre pinturas, instalações e xilogravuras, dialogando com referências da arte popular e da cena contemporânea, e construindo uma linguagem poética marcada pelo uso de camadas e texturas que rememoram lembranças pessoais e narrativas coletivas. 

Após um período de isolamento causado pela pandemia, Ciro conseguiu registrar uma presença marcante nas redes sociais, acumulando mais de 200 mil seguidores no Instagram, onde divulga principalmente vídeos de seu trabalho, - alguns com mais de 10 milhões de visualizações.

Serviço:
Exposição “Ciro Fernandes: o menino, o olho e o pássaro”
Abertura: 14 de junho, às 10h (presença do artista; gravação de matriz ao vivo)
Local: Memorial de Curitiba. R. Dr. Claudino dos Santos, 79 - São Francisco, Curitiba - PR.

Visitação: até 15 de novembro. Terça a sexta, 9h às 18h. Sábado e domingo, 9h às 15h. 

Redes Sociais: 
www.instagram.com/cirofernandesxilo 
www.instagram.com/singularcultural



sexta-feira, 5 de junho de 2026

Parceria entre YouFree Coworking de Beleza e Instituto Incanto promove inclusão e empreendedorismo feminino em Curitiba

Ação conjunta do YouFree Coworking de Beleza e Instituto Incanto une inovação e impacto social para capacitar mulheres da periferia de Curitiba

Na próxima segunda-feira, dia 8 de junho, o YouFree Coworking de Beleza abrirá suas portas para uma tarde dedicada à inclusão, autonomia e transformação social. Em parceria com o Instituto Incanto, por meio do projeto Caça Jeito, o espaço receberá um grupo de mulheres, com idades entre 18 e 35 anos, para uma imersão prática e inspiradora no universo do empreendedorismo da beleza.

O evento, que acontece das 13h30 às 17h30, contará com uma apresentação do modelo inovador do YouFree, painéis de conversa com profissionais consolidados do mercado e uma oficina prática de maquiagem. O objetivo principal é conectar jovens de comunidades e periferias a uma nova realidade de mercado, rompendo barreiras geográficas e sociais.

Para Mariângela Albuquerque, idealizadora do YouFree, a beleza é uma ferramenta poderosa de independência. "Nós acreditamos que a beleza vai muito além da estética: ela é uma ferramenta poderosa de liberdade, autonomia e transformação social. Nascemos com o propósito de ser um espaço que respira empreendedorismo, encorajando profissionais — sejam cabeleireiros, maquiadores ou esteticistas — a assumirem a independência profissional", afirma Mariângela."

Enquanto o YouFree traz a modernidade e a infraestrutura de um coworking especializado no Centro de Curitiba, o Instituto Incanto entra com sua expertise de atuação nas comunidades periféricas. O projeto Caça Jeito atua justamente na base, levando qualificação técnica e oportunidades reais para que essas mulheres descubram seus potenciais e comecem a trilhar seus próprios caminhos.

Luiz Fernando Soczek, gerente de projetos do Incanto (Instituto de Cultura, Arte e Novas Tecnologias), destaca o impacto prático que a vivência trará para as alunas:

"A parceria com a YouFree contribui significativamente para a formação das estudantes na área da beleza. É a oportunidade de conhecerem e atuarem em um espaço especializado, estruturado, e tendo contato com profissionais que já possuem experiência e uma carreira consolidada. Isso abre a perspectiva dessas mulheres que, muitas vezes, sequer acessaram um local como esse", pontua Luiz Fernando.

Ao apoiar o Caça Jeito, o YouFree busca proporcionar a essas novas futuras empreendedoras um ambiente rico para networking, troca de experiências práticas e, acima de tudo, inspiração para que entendam que o topo do mercado também é o lugar delas.

Sobre o YouFree Coworking - Idealizado pela publicitária Mariângela Albuquerque, o espaço oferece, desde outubro do ano passado, o Youfree oferece infraestrutura completa de serviços de manicure, corte, coloração e estética. A proposta foca na autonomia do profissional de beleza que pode optar pelo aluguel mensal de salas privativas e estações de trabalho, ou utilizar o modelo pay-per-use, locando o espaço por hora ou diária.

Serviço: Ação de Inclusão e Empreendedorismo: YouFree & Instituto Incanto (Projeto Caça Jeito) Data: Segunda-feira, 08 de junho Horário: Das 13h30 às 17h30{ Local: YouFree Coworking de Beleza Endereço: Alameda Cabral, 423 Instagram: @youfreecoworking


quinta-feira, 4 de junho de 2026

Changes reabre oficialmente sábado (06/06) com shows de Anacrônica e Relespública


Casa noturna volta a ocupar esquina histórica do rock curitibano com nova estrutura, rooftop reformulado e opções de drinks sem álcool

Um casarão histórico para o rock curitibano volta a ganhar vida no próximo dia 6 de junho. O Changes reabre oficialmente as portas retomando espaço na agenda cultural da cidade. E a primeira noite não poderia ser mais curitibana: sobem ao palco dois nomes que ajudam a contar a história da música feita em Curitiba, Relespública e Anacrônica.

Para a reabertura, a casa batizada com um dos clássicos de David Bowie, recebe duas bandas que dialogam diretamente com a memória afetiva da cena local. Com mais de 30 anos de estrada, o Relespública atravessou gerações e ganhou projeção nacional por faixas como “Garoa e Solidão”, “Nunca Mais”, “Essa Canção” e “Marcianos”.

E a Anacrônica, que carrega a intimidade de quem toca junto desde cedo e está na cena curitibana desde o começo dos anos 2000. Bruno, Marcelo, Gordo e Sandra construíram um repertório muito próprio registrado em álbuns, EP e projetos acústicos, familiar a quem circula pela noite curitibana.

Nova fase

Nesta nova etapa, o Changes ganha mais lugares para sentar no térreo, no segundo andar e camarotes, oferecendo mais conforto.

O rooftop, até então inativo, foi reformulado e o ambiente ao ar livre, no segundo andar da casa, passa a funcionar como área de convivência, mais uma opção para quem quer circular fora da pista, e um refúgio para os fumantes.

“O Changes renasce para continuar sendo um lugar onde as pessoas possam viver a noite inteira, não apenas assistir a um show”, afirma o sócio Bruno Dvorak.

O cardápio foi reformulado e passa a trazer opções mais elaboradas, incluindo hambúrgueres, porções de perfil botequeiro e uma seleção de cervejas e chopes com participação de marcas artesanais. O bar também oferecerá mais opções de drinks sem álcool, acompanhando um comportamento cada vez mais presente entre pessoas que querem aproveitar a música e a vida noturna sem necessariamente consumir bebidas alcoólicas.

“A programação do Changes seguirá aberta para os amantes de uma boa festa, com opções de bebida e alimentação para os mais variados gostos. Além disso, teremos no palco bandas autorais e também releituras e clássicos, reforçando a proposta da casa de voltar a ser um dos principais pontos de encontro do rock em Curitiba”, pontua Inys Tavares Dvorak, sócia da casa.

SERVIÇO
Relespública e Anacrônica na reabertura do Changes
@changes.cwb
Rua Carlos Cavalcanti, 1122
Data: 06/06/26

quarta-feira, 27 de maio de 2026

DeLorean comemora 20 anos com festa retro neste sábado (30/05)

Tudo começou de forma despretensiosa. No dia 27 de maio de 2006, a Banda DeLorean estreava nos palcos de Curitiba – no extinto Café Curaçao –, com a única intenção de tocar ao vivo as “músicas boas” dos anos 80 e 90.

Vinte anos, algumas correções de rota e diversas formações depois, a máquina do tempo continua azeitada, relevante e levando centenas de pessoas a viajar todo fim de semana pelos anos 70, 80, 90 e 2000, além de sucessos do cinema.

Para comemorar essas duas décadas de estrada, a DeLorean escolheu a Sociedade Morgenau – que também se consolidou como a casa de festas temáticas de nostalgia, como a Celebration.

No line-up, como presente de aniversário, nada melhor do que chamar os amigos de outra banda bastante longeva dedicada à nostalgia, a Candyman Club, e o DJ Rogério, residente da Angel’s Flight que voltou à ativa em uma festa na qual dividimos o palco, em 2013.

Portanto, marque na agenda: dia 30 de maio de 2026, a partir das 20h, tem a festa DE VOLTA PARA O FUTURO – 20 ANOS DA BANDA DELOREAN, com músicas novas, itens promocionais, decoração temática e apresentações da Candyman Club e DJ Rogério. Ingressos à venda pelo DiskIngressos.

SERVIÇO: DE VOLTA PARA O FUTURO – 20 ANOS DA BANDA DELOREAN
Quem: Banda Delorean + Candyman Club + DJ Rogério (Cia.Vintage 80)
Quando: 30/05/2026, a partir das 20h
Onde: Sociedade Morgenau
Endereço: Av. Sen. Souza Naves, 945 - Cristo Rei, Curitiba - PR
Ingressos: à venda no DiskIngressos - www.diskingressos.com.br/event/3377

terça-feira, 26 de maio de 2026

BPP estreia série de encontros com o quadrinista André Dahmer

André Dahmer. Foto: Chico Cherchiaro

Nesta quinta-feira (28), a Biblioteca Pública do Paraná (BPP) estreia o projeto “Biblioteca ConVida”, que reúne personalidades ligadas à literatura e às artes para rodas de conversa. A primeira edição da série conta com o quadrinista André Dahmer, para um bate-papo com o tema “Como rir do absurdo ajuda a digerir a realidade de hoje sem cair na alienação?”. A mediação é do professor e ilustrador Guilherme Caldas. O evento acontece às 19h, no Auditório, com capacidade para 132 pessoas. 

André Dahmer também é artista visual e poeta. Nasceu em Botafogo, no Rio de Janeiro, e possui onze livros publicados. É conhecido por seu trabalho em séries de tirinhas “Malvados” e “Vida e obra de Terêncio Horto”, além de suas tiras diárias publicadas nos jornais O Globo e Folha de S.Paulo. Também é ganhador de cinco prêmios HQmix e um troféu Jabuti.

O “Biblioteca ConVida” é uma iniciativa da Biblioteca Pública do Paraná, que tem como proposta promover encontros mensais com figuras do universo literário e artístico no geral. O projeto reforça o papel da BPP como espaço de conexão entre escritores, artistas, livreiros e leitores. Todos os eventos da instituição são gratuitos e abertos ao público. 

O diretor da BPP, Luiz Felipe Leprevost, considera a iniciativa um passo importante para a instituição: “Iniciamos o projeto Biblioteca ConVida com muita satisfação, com um desejo muito grande de trazer convidados da cena literária e cultural ao palco da BPP, e reafirmar também a ideia de biblioteca viva, como espaço cultural, com as pessoas podendo usufruir o ambiente”.

Bate-papo com o projeto “Ampliando Horizontes”

No dia seguinte, sexta-feira (29), o projeto Ampliando Horizontes: Poesia e Ficção promove uma conversa com os escritores Carlos Machado, José Carlos Fernandes e Juarez Poletto. O tema será sobre suas experiências à frente das oficinas de criação realizadas pelo projeto em 2025. Também participam do encontro integrantes do conselho editorial da iniciativa: Fabiano Vianna, Fabio Santiago e Rita Cassitas, além de Simon Taylor, que faz os desenhos para as capas dos livros do projeto. O evento acontece no Hall Térreo, a partir das 16h30.

Bate-papo com Ricardo Domeneck 

Ainda nesta sexta-feira, às 18h30, o Auditório da BPP recebe o poeta Ricardo Domeneck para o bate-papo “O corpo como campo da política”, mediado pela pesquisadora Diamila Medeiros. Nome de destaque na literatura queer contemporânea, Domeneck é autor de Cigarros na cama (7Letras, 2011), Ciclo do amante substituível (7Letras, 2012) e Manual para melodrama (7Letras, 2016), entre outros títulos. Nascido em Bebedouro, no interior paulista, vive e trabalha em Berlim desde 2002, onde colabora com artistas plásticos e organiza performances de artistas de multimídia. 

Serviço
Biblioteca ConVida: André Dahmer
Tema: “Como rir do absurdo ajuda a digerir a realidade de hoje sem cair na alienação?”,  mediado por Guilherme Caldas
Data: 28 de maio (quinta-feira)
Hora: 19h
Local: Auditório
Capacidade: 132 pessoas

Bate-papo: Projeto Ampliando Horizontes: Poesia e Ficção
Com Carlos Machado, José Carlos Fernandes e Juarez Poletto
Data: 29 de maio (sexta-feira)
Hora: 16h30
Local: Hall Térreo

Bate-papo com Ricardo Domeneck
Tema: “O corpo como campo da política”, mediado por Diamila Medeiros
Data: 29 de maio (sexta-feira)
Hora: 18h30
Local: Auditório
Capacidade: 132 pessoas

Biblioteca Pública do Paraná
Cândido Lopes, 133 - Centro